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Salão de Arte de Santo André

A 38ª edição do Salão de Arte Contemporânea de Santo André reafirma, a cada ano, a sua importância dentro do cenário da arte brasileira. Ele funciona como um espelho refletindo a produção de arte da atualidade.

Como Membro da Comissão de Seleção e Premiação desse Salão, desejo parabenizar a Prefeitura de Santo André, que, mediante seu Departamento de Cultura e a sua Comissão Organizadora, demonstrou o respeito aos habitantes da sua cidade através da manutenção deste importante salão.

Para podermos analisar e selecionar adequadamente arte contemporânea é necessário observar, em primeiro lugar, o contexto atual da arte - onde temos obras de caráter híbrido, transculturais, multifacéticas, interdisciplinares, multidisciplinares, multimídicas, antropofágicas, contaminadas, multiterritoriais etc. Ou seja, o mix-tudo ou mix-total.

A noção de fronteira entre as diferentes formas culturais desapareceu ou diluiu-se a tal ponto que é impossível compreender o estágio atual da arte sem essa consciência, à qual torna-se obrigatória uma visão contemporânea múltipla, aliada a um pensamento contemporâneo múltiplo.

Analisar e selecionar arte representativa nesse contexto da arte atual não é tarefa fácil. Ainda mais quando observamos a complexidade do momento na arte contemporânea somado ao elevado número de inscrições nesse salão.

Nosso olhar ficou concentrado na procura de obras com conceitos bem resolvidos, processos criativos bem elaborados, pesquisa de linguagens, arte experimental, boas técnicas, criatividade, poesia visual, riqueza de metáforas, pesquisa de materiais etc. A idéia é reconhecer o valor do trabalho.

Tivemos que identificar e separar o joio do trigo. Separar obras relevantes misturadas no meio de trabalhos de principiantes, modismos de mercado, fórmulas decorativas, arte acadêmica, plágios, autores ingênuos e mal informados etc etc.

Porém, nem tudo aquilo que é recusado é por falta de qualidade. O espaço expositivo tem limitações de montagem, o qual nos obriga a fazer cortes indesejados.

O salão oferece oportunidades democráticas, onde não se fazem exigências curriculares aos inscritos. Dessa forma, artistas com trajetória, artistas emergentes, mestres e alunos têm as mesmas oportunidades.

Os salões, de modo geral, funcionam como laboratórios de pesquisa para mapear os caminhos contemporâneos da esgotada arte atual.

Aqui encontramos artistas que dão valor à pesquisa permanente como procedimento de trabalho, porque eles têm consciência de que através dessa pesquisa a arte se atualiza, se recicla, se sintoniza no tempo e permite-lhes exercitar diariamente o contato com a liberdade.

Alguns artistas selecionados nesta edição revelam fortes indícios de um futuro promissor. Vamos aguardar... O tempo irá dizer.

Waldo Bravo
Artista-curador e Arte-educador
Membro da Comissão de Seleção e Premiação
38ª edição do Salão de Arte Contemporânea de Santo André

O Autor

Waldo Bravo

Bravo é um artista-curador com experiência em arte-educação, desempenhando papel fundamental na formação de centenas de artistas brasileiros. Suas obras, além de publicadas em livro pelo Escritório Brasileiro de Artes – EBART, estão expostas em galerias e museus de diversos países, incluindo participações em mostras de grande prestígio, tais como Panorama da Arte Atual Brasileira no MAM, III Bienal Nacional de Santos, X Bienal Internacional de Arte de Valparaiso no Chile, Bienal de Vilnius na Lithuania, 1a Bienal de Gravura de Santo André, entre outros. É membro fundador do NALE - Núcleo de Arte e Linguagem Experimental, e atualmente é coordenador do Espaço Contempoarte em São Paulo.

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Arte: Emoção ou Razão?
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Muito prazer, Waldo Bravo