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Adaptação e conscientização ao treinamento

Devido ao rápido desenvolvimento experimentado nos últimos anos, a teoria da adaptação exerce enorme influência sobre a preparação dos esportistas e o aperfeiçoamento da teoria e da metodologia do esporte de alto rendimento.

A teoria da adaptação reúne a totalidade dos conhecimentos sobre a adaptação do organismo humano às condições do meio ambiente, em especial quando relacionada a situações extremas. Sua influência sobre o esporte é considerável em relação a toda causa que o próprio esporte provoca na atividade humana sobre distintas funções do organismo que trabalham em situações de respostas máximas. Num sentido mais amplo, através da adaptação entende-se a capacidade do ser vivo em acomodar-se às condições do meio ambiente, destacando as adaptações genotípicas e fenotípicas.

A adaptação genotípica, por ser a base da evolução, representa o processo de acomodação das populações às condições ambientais em função da hereditariedade e da seleção natural. É a base da evolução natural da espécie sobre a totalidade de conhecimentos e sobre os mecanismos e regras das transformações históricas na natureza.

A adaptação fenotípica é o processo adaptativo que se desenvolve no transcorrer da vida de um indivíduo em resposta às influências de diferentes fatores ambientais. Esse tipo de adaptação tem sido objeto de muitas investigações realizadas nos últimos anos, referentes aos diferentes aspectos da atividade prática e científica do homem.

Investigações realizadas em diferentes laboratórios mundiais demonstraram, de forma convincente, que não existe nenhum tipo de atividade profissional com efeitos de treinamento comparáveis com às cargas de treinamento e competições do esporte moderno. Nem sequer o árduo trabalho físico, agravado por condições climáticas extremas, é capaz de provocar, no organismo humano, transformações adaptativas como as observadas nos esporte de alto nível. Por exemplo, o trabalho diário de muitas horas desenvolvido pelos entregadores de cartas (carteiros). Nenhuma das pessoas com esse tipo de atividade profissional pode ser comparada com corredores de fundo, ciclistas, nadadores e esportistas de outras modalidades relacionadas à resistência (particularidades adaptativas cardiovasculares e respiratórias).

Esse efeito é explicado de maneira muito fácil: a intensidade de esforço físico diário por muitas horas, incluindo o agravamento imposto pelas condições severas do ambiente exterior como o clima quente ou a grande altitude, é consideravelmente inferior à intensidade de trabalho desenvolvida no treinamento. Além disso, as condições extremas das competições não guardam semelhanças com a atividade profissional, exceto nos casos que tratam da luta do homem por sobrevivência.

As manifestações da adaptação no esporte são extremamente diversas. Nos treinamentos, é necessário unir, à adaptação, cargas físicas de diferentes orientações e de diferentes dificuldades de coordenação, intensidade e duração. Desse modo, busca-se aperfeiçoar, pelo uso de muitos exercícios direcionados à melhora das qualidades físicas, a habilidade técnico-tática e, finalmente, as funções psíquicas.

Diferentemente de muitos outros campos da atividade humana, caracterizados pela necessidade de adaptação a situações extremas, a particularidade da adaptação no esporte manifesta-se pela forma de programação, que permite, desse modo, uma acomodação paulatina às condições exteriores de dificuldade crescente. Com efeito, cada etapa do aperfeiçoamento esportivo a longo prazo e cada competição importante delineia ao atleta a necessidade de um novo salto adaptativo e a resposta à adaptação. Tudo isso representa as exigências especiais ao organismo humano.

No decorrer da carreira esportiva, destaca-se a grande quantidade de “degraus”. Basta dizer que a estrutura de preparação a longo prazo divide-se em cinco etapas que duram, em função da modalidade desportiva, de 6 a 8 anos, podendo chegar até a faixa entre 20 e 25 anos ou mais. Por sua vez, cada ano pode incluir quatro ou mais macrociclos individuais, cada um dos quais finalizado por uma competição de grande responsabilidade, na qual existe uma preparação especial e, logicamente, um novo e mais elevado nível de adaptação em comparação ao rendimento apresentado nas competições anteriores.

A necessidade de manter o resultado da atividade desportiva, como por exemplo conseguir certa velocidade durante todo o percurso em condições de desenvolvimento progressivo de fadiga, chega a apresentar formas muito graves quando o homeostasia do atleta é afetado – fato relacionado com a formação das reações de adaptação específicas e exclusivamente instáveis. Essas reações evidenciam-se pelas oscilações consideráveis nos parâmetros básicos da estrutura dos movimentos e pelas manifestações psíquicas, o que assegura a solução eficaz do objetivo motor.

A grande adaptação do organismo dos esportistas às cargas físicas pode diminuir a resistência a outros fatores do ambiente externo. Por exemplo, em muitas modalidades esportivas, o treinamento leva a uma diminuição do tecido adiposo e do efeito energético da noradrenalina, e, desse modo, a uma diminuição da possibilidade de produção de calor em condições de frio. É por isso que os esportistas bem treinados são expostos a resfriados, em especial aqueles especializados nas modalidades em que há problema de perda de massa corporal: boxe, luta, halterofilismo, etc. Em particular, o déficit de androgênios e estrogênios pode conduzir à alterações na puberdade e no ciclo menstrual entre esportistas especializadas em modalidades que exigem a diminuição da gordura corporal.

O fato dos esportistas que suportam cargas físicas máximas estarem expostos, com facilidade, à distintas doenças é explicado também pelas alterações na imunidade celular e hormonal. Enquanto as cargas ótimas melhoram a imunidade do organismo, as cargas excessivas causam a diminuição desta.

Os efeitos da adaptação negativa não são inevitáveis. São conseqüências de um processo de preparação planejado irracionalmente, com a utilização de cargas excessivas que não correspondem às possibilidades do esporte, e com um planejamento de orientação do processo de treinamento que desconsidera a etapa do desenvolvimento da idade do esportista.

Por esses motivos, a conscientização é importantíssima no sentido de saber qual é o seu limite, respeitando as cargas de trabalho. Procure um profissional especializado na modalidade que você pretende praticar, com quem você certamente terá uma preparação planejada e ideal.

Bons treinos!

Profº Edson Pereira
edson@bksports.com.br

Profº Kim Cordeiro
kim@bksports.com.br

BKsports Assessoria Esportiva
www.bksports.com.br

 

O Autor

Prof° Kim Cordeiro

Sócio-diretor e treinador da BK Sports Assessoria Esportiva, Kim Cordeiro é formado em Educação Física pela UNISA, pós-graduado em Treinamento Desportivo pela FMU e tem diversos cursos realizados nas áreas de Natação, Ciclismo, Corrida e Musculação. É treinador de triathlon, ciclismo de estrada e corrida de longa distância há mais de 6 anos e responsável pelo treinamento da equipe profissional de ciclismo DHL – BK Sports. Como atleta, Kim foi campeão de duas edições do Extra Distance 800km e finalista de provas como o Ironman.


Os textos desta coluna contam com a colaboração do Prof. Edson Pereira

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