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A eficiência do aquecimento para o esportista

A capacidade de trabalho físico de esportistas profissionais e amadores e a sua eficiência da atividade dos sistemas funcionais de seu organismo durante competições e treinos são determinadas, em grande, parte pela organização racional do aquecimento. O aquecimento é um complexo de exercícios físicos escolhidos e orientados especialmente para a preparação eficaz do organismo do esportista para o futuro esforço, de forma que atenda aos objetivos funcionais, motores e motivacionais. Sua influência é manifestada pelo aumento da temperatura local muscular, aumento do fluxo sanguíneo periférico, na velocidade de desenvolvimento das reações bioquímicas nos músculos e no alongamento dos músculos e ligamentos. Além disso, diminui o risco de traumatismo muscular e aumenta a atividade do sistema simpático supra-renal, que adapta o organismo ao trabalho futuro, mobilizando as reservas de glicogênio e ativando a função cardiorrespiratória, os vasos sanguíneos, etc.

A eficácia do aquecimento depende de fatores como o caráter da atividade posterior, do nível de preparação e qualificação do esportista, do seu estado funcional e outros aspectos. O aquecimento é um componente obrigatório do processo de treinamento e competição. Sua carga deve ser aumentada gradualmente, com um trabalho de baixa intensidade que não supere o limiar anaeróbico. A intensidade excessiva do aquecimento pode influenciar negativamente sobre o efeito da atividade posterior, dependendo muito da qualificação e das particularidades individuais do esportista.

Agora, se a atividade física for iniciada de forma intensa e sem o aquecimento, pode provocar uma isquemia do miocárdio como demonstra o estudo feito por Barnad e cols., (1973). A realização desta pesquisa demonstrou que esportistas bem preparados que possuem o coração sadio e que iniciaram o trabalho de 10s com intensidade máxima em uma esteira sem aquecimento tiveram, em 68% dos casos, alterações patológicas no eletrocardiograma. Já, quando este trabalho foi antecedido por uma corrida leve de dois minutos, não foi observada nenhuma alteração no eletrocardiograma.

Sabe-se há algum tempo que o esforço intermitente após um breve período de descanso é acompanhado de gasto menor de energia, menor aumento do lactato e aumento no rendimento. A execução repetida do trabalho na fase de recuperação incompleta inicia quando a atividade das enzimas oxidativas é elevada e acompanhada pelo menor gasto de substratos e esforço da glicólise. O aquecimento substitui a fase inicial da atividade muscular, quando predomina a ressíntese anaeróbica de ATP, que é utilizada para o inicio da atividade, e depois substituída pelo sistema aeróbio. Esse sistema permite ao esportista obter, com mais rapidez, um alto nível de metabolismo aeróbico durante a execução do trabalho principal, deixando o recurso anaeróbio para uso posterior. Nesse caso, é particularmente importante o aquecimento e, ao mesmo tempo, manter elevado o nível da atividade dos processos oxidativos. Os intervalos muito longos ou muito curtos diminuem a eficácia de execução dos principais exercícios. A presença de um intervalo com freqüência bastante longa entre o final do aquecimento e a prova competitiva exige que o aquecimento seja um pouco mais prolongado - se o intervalo superar 30 à 34 minutos, cabe utilizar alguns exercícios especiais, massagem e preparação psicológica. Se os intervalos entre provas forem extensos, pode ser necessário um aquecimento adicional.

Ao estudar o aumento da temperatura interna do corpo como um dos fatores mais importantes que determina a eficácia do aquecimento, deve-se recordar que é possível aumentar a temperatura corporal mediante a realização de um trabalho físico e à utilização de outras estratégias como a sauna ou ducha quente. Entretanto, é mais importante a atividade muscular organizada especialmente, pois isso permite associar o aumento da temperatura com a preparação do sistema de regulação dos movimentos. O aquecimento local das extremidades é muito menos eficaz e, em alguns casos, conduz inclusive à diminuição da capacidade de trabalho e à aparição antecipada da fadiga. É importante observar que a temperatura muscular aumenta muito mais rapidamente que a do corpo inteiro, o que deve ser considerado ao determinar a duração do aquecimento. Além disso, os especialistas consideram que o aumento da temperatura muscular é mais importante que o da temperatura do corpo inteiro.

 A atividade dos músculos, que são a fonte de calor durante o trabalho muscular, deve ser suficientemente longa para assegurar não somente a aquecimento dos músculos (da superfície corporal) como também da parte central. Caso contrário, os músculos pedem o calor rapidamente, transmitindo-o à parte central pelo fluxo do sanguíneo.

Um dos primeiros sintomas de grau mínimo do aquecimento é o aparecimento do suor (dependendo da temperatura do ar, do tipo de roupa e da intensidade do trabalho, a sudorese pode começar em 6 a 15 segundos). Após o aquecimento geral é importante planejar estratégias de exercícios físicos de modo que prepare a musculatura especifica do esporte que irá praticar. Por exemplo, o aquecimento de um lutador ou de um atleta de futebol deve ser exclusivamente diversificado e incluir ações técnicas e táticas realizadas em várias intensidades. Agora, remadores, corredores, ciclistas tem uma parte especial de aquecimento bastante monótona, onde geralmente varia apenas a intensidade dos exercícios. Esta parte especial de aquecimento é normalmente composta por três partes. Na primeira são realizados os elementos técnicos mais importantes; na segunda, a repetição dos conjuntos completos das ações motoras com intensidade progressiva; e, na terceira parte, as tentativas de executar o exercício competitivo completo ou suas partes, com uma intensidade de 90 a 95% da prevista para a competição, de modo que o aquecimento auxilia a preparar o aparelho motor e a aumentar a excitabilidade do sistema nervoso de acordo com as exigências da futura atividade.

Ao escolher os exercícios para o aquecimento, a intensidade de sua execução e a duração geral da atividade, o esportista deve procurar um profissional de educação física que tenha experiência na modalidade que deseja praticar, porque assim, você conseguirá alcançar seus objetivos e realizar as metas de cada treino.

E bons treinos !!!!!

 

O Autor

Prof° Kim Cordeiro

Sócio-diretor e treinador da BK Sports Assessoria Esportiva, Kim Cordeiro é formado em Educação Física pela UNISA, pós-graduado em Treinamento Desportivo pela FMU e tem diversos cursos realizados nas áreas de Natação, Ciclismo, Corrida e Musculação. É treinador de triathlon, ciclismo de estrada e corrida de longa distância há mais de 6 anos e responsável pelo treinamento da equipe profissional de ciclismo DHL – BK Sports. Como atleta, Kim foi campeão de duas edições do Extra Distance 800km e finalista de provas como o Ironman.


Os textos desta coluna contam com a colaboração do Prof. Edson Pereira

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