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Rolim: da favela para a Câmara Municipal

Dos 43 anos de vida, José Rolim passou mais de 25 em São Paulo. Mas seus olhos não deixam de brilhar quando ele fala da região onde nasceu, em Pernambuco. Ele é de Garanhuns, a mesma região do presidente Lula. Rolim tem votos na zona sul de São Paulo, principalmente na favela do Paraisópolis, onde a maioria dos moradores também veio do Nordeste. Há duas semanas, ele tomou posse de uma cadeira na Câmara Municipal, no lugar de Marcos Zerbini, que se elegeu deputado estadual. Nesta entrevista ao Morumbi.Net, ele fala sobre como pretende atuar como membro do Poder Legislativo da terceira maior cidade do mundo.

Morumbi.Net: O senhor é vereador do Paraisópolis ou do Morumbi? Ou dos dois?

José Rolim: Eu sou vereador da cidade de São Paulo. É claro que tenho eleitores em toda zona sul e moro no Paraisópolis.

Morumbi.Net: Mas o senhor defende os interesses do Morumbi ou do Paraisópolis?

José Rolim: Dos dois. Penso que os interesses não sejam conflitantes. Costumo dizer que não existe Morumbi bom com Paraisópolis ruim. Assim como não existe Paraisópolis bom com Morumbi ruim.

Morumbi.Net: Por quê?

José Rolim: Porque a maior parte dos moradores do Paraisópolis trabalha nas casas e no comércio do Morumbi. Quanto mais forte for a economia do Morumbi, melhor para nós.

Morumbi.Net: Muitos moradores acham que a existência do Paraisópolis favorece o crime na região...

José Rolim: No Paraisópolis, o índice de criminalidade é baixo, menor até do que muitos bairros nobres. A esmagadora maioria dos moradores da favela é trabalhadora. Agora, em São Paulo, o crime existe em todo o lugar.

Morumbi.Net: Até que ponto um líder pode garantir a paz no Paraisópolis?

José Rolim: O que garante a paz, a cidadania e o bem estar é o poder público, não é nenhuma liderança. O Paraisópolis precisa é do poder público presente, através de escola, ruas asfaltadas, luz, policiamento e regularização das moradias. Paraisópolis precisa é de investimento social.

Morumbi.Net: Por que o poder público não está lá?

José Rolim: Eu era do PT e depois deixei o partido porque na administração da Marta Suplicy não fizeram nada pelo bairro. Estou no PSDB e o governador José Serra, que é meu padrinho político, transformou o Paraisópolis num canteiro de obra. As melhorias começaram a chegar quando ele era prefeito e não param mais. Uma obra que vai ajudar tanto o morador do Paraisópolis e como o do Morumbi é a avenida Perimetral, a avenida Itapaiuna, que vai sair.

Morumbi.Net: Como o senhor foi recebido na Câmara Municipal?

José Rolim: Eu sou o primeiro líder comunitário que mora na favela a assumir uma cadeira na Câmara Municipal. Outros líderes passaram por lá, mas não tenho conhecimento de nenhum que seja morador da favela. Na Câmara, o jogo é pesado, tem muita gente experiente na política, mas não tenho medo de cara feia. O Serra me disse: Olha, Rolim, você não é mais nem menos vereador que nenhum outro lá. O seu voto vale um, assim como o dos outros.

Morumbi.Net: Quais são as suas prioridades?

José Rolim: Quero garantir que a prefeitura e o governo do Estado invistam na nossa região e estou preparando projetos de lei para beneficiar principalmente os mais pobres. Não deixarei passar essa oportunidade sem batalhar por conquistas para nosso povo.

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José Rolim
Vereador de São Paulo